sexta-feira, 9 de maio de 2014

Alex Sens Fuziy

ESPERA
Para Mariana Ianelli e Aurora da Graça, minhas poetas preferidas. 

Descasco paredes com os cílios
Para encontrar segredos pálidos
Tinta a óleo de um sorriso
Alvejado pelo cal da história.

Esse peso carregado no espanto
De partir-se nos batentes
Estando em dois cômodos
Vazios e brancos de silêncio.

Eu não espero nada do susto
De mergulhar no duro abandono
Do eco trêmulo, oracular
Que trinca dos corrimões.

A sombra da escada se alarga
Um flanco de zinco
Sobre o qual antigos passos
Deixaram sua marca de musgo.

Saliências de uma despedida
Ondulam teu olhar apétalo
Toda a casa se apaga, se fecha
No movimento nástico do jardim.

Esse sussurrar de águas mornas
A luz desbotada que aquece
A corrente de hematita que desce
Dos lábios de um anjo de pedra.

Aqui dentro, espera de aldrava
Fora, o dilema pontiagudo
E no meio o marrom exangue
Das flores não enviadas.
© Alex Sens Fuziy - Todos os direitos reservados



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