sábado, 16 de março de 2019

Dora Ferreira da Silva


Habitas meu coração: barbas de rei assírio
olhar de extensões alheias
a tempo e medida.
Tua voz tem asas de falcão e pousa
nas torres mais altas do meu ser
onde jamais me aventurei. É minha a tua solidão.
Sirvo-te em silêncio e às vezes
como a uma criança me apertas em teu peito:
acaricio então tua face estranho rei.
Outras vezes ouço passos ecoando
no enlace das colunas em seteiras escadas. Se grito
teu nome – és mil ressonâncias e seu eco em mim.

Murilo Mendes

REVELAÇÃO Quando me inclinei sobre a água, a estrela saíra, O parque elaborando curvas a seu gosto. Um rumor de pássaros fixou-se na folh...