sábado, 16 de março de 2019

Dora Ferreira da Silva

Habitas meu coração: barbas de rei assírio
olhar de extensões alheias
a tempo e medida.
Tua voz tem asas de falcão e pousa
nas torres mais altas do meu ser
onde jamais me aventurei. É minha a tua solidão.
Sirvo-te em silêncio e às vezes
como a uma criança me apertas em teu peito:
acaricio então tua face estranho rei.
Outras vezes ouço passos ecoando
no enlace das colunas em seteiras escadas. Se grito
teu nome – és mil ressonâncias e seu eco em mim.

José Agostinho Baptista

MAIS UM ANO Mais um ano está cumprido. De repente, implacavelmente, o tempo arrancou as suas folhas, a vertiginosa sucessão dos números. ...