quarta-feira, 31 de julho de 2019

Mariana Ianelli

FAZER FOGO

Que sei eu da tua vida feita de milhões de instantes?

Das tuas monstruosidades, tuas taras, teus dramas?

Que sei eu dos teus contrabandos no caminho até agora?

Se nem sei teu nome e as palavras de um pós-guerra

São como pedras que precisamos atritar para dar fogo...

Não é mau que o cenário seja pobre e antes uma questão

De sobrevivência fazer fogo: isso aproxima estranhos, dispensa

Cerimônia, protela a discórdia e nos chama a certos gestos

De linguagem universal, rosto de dor, corpo com sono, sede,

Medo, fome, e então se tocam a tua loucura, a minha sanha,

O meu desejo e o teu desejo, acordados, então queimamos,

E queimamos bem, como se assim fizéssemos juntos a vida toda.

domingo, 14 de julho de 2019

Kabir



KABIR - [Poema 12]

Conta-me, ó Cisne, tua velha história.

De onde viestes? Para onde vais?

Em que margem pousarás para descansar?

A qual meta entregastes o coração?

*

Esta é a manhã da consciência!

Voemos juntos! Desperta! Segue-me!

Há um lugar livre da dúvida e da tristeza,

Onde o terror da morte não impera.

*

Lá, florescem bosques em eterna primavera,

E sua fragrância faz avançarmos mais e mais.

Imerso nela, o coração, qual abelha, se inebria.

Imenso nela, já não quer outra alegria.

Tradução de José Tadeu Arantes

Mariana Ianelli

FAZER FOGO Que sei eu da tua vida feita de milhões de instantes? Das tuas monstruosidades, tuas taras, teus dramas? Que sei eu dos teu...