quinta-feira, 17 de abril de 2014

Mariana Ianelli

OS TEUS OLHOS
Que estejam vivos em algum lugar
Os teus olhos -

Não importa onde se demorem,
Que coisas afaguem, que outras molestem,
Importa que estejam vivos e curiosos
Esses olhos

E olhem para dentro alguma vez
E o que vejam
Seja alguma força de sequoia
Presa à terra desde o império
De outros tempos

E seja ainda uma fonte de pedra,
Sejam águas correntes e o privilégio
De uma calma repleta
(O regozijo da sombra
Passado o terror das guerras)

Que dessa multidão, desse rubor de sumo
E segredo de floresta
Se encham os teus olhos,
E só então se esfumem, e só então se fechem.

[In O AMOR E DEPOIS, São Paulo, Iluminuras, 2012, p. 43]



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