segunda-feira, 14 de julho de 2014

Louis Aragon

Eu sou o herege de todas as igrejas
Amo mais a ti do que a tudo que há para viver e morrer
Carrego para ti o perfume dos lugares santos e a canção do fórum
Veja os meus joelhos feridos de tanto rezar a você
Meus olhos morrem por tudo o que não é a tua flama
Eu sou surdo a toda queixa que não vem de tua boca
Eu nada sei de milhões de mortes quando é você quem chora
É a teus pés que me doem todas as pedras no meio do caminho
A teus braços rasgados por cercas de espinhos
Todos os fardos trazidos martirizam teus ombros
Toda a tristeza do mundo está em apenas uma de tuas lágrimas
Eu jamais sofri antes de você
Sofrimento é o que ela sofreu
A besta clamando uma ferida
Como você pode comparar com o mau animal
Esta janela em mil pedaços em que acontece a crucificação dos dias
Você me ensinou o alfabeto da dor
Eu sei agora ler os soluços Eles são todos feitos de teu nome
De teu nome teu nome partido teu nome de rosa desfolhada
Teu nome o jardim de toda Paixão
Teu nome que eu irei ao fogo do inferno para escrever na face do mundo
Como essas misteriosas epístolas para a escritura do Cristo
Teu nome o grito de minha carne e a dilaceração de minha alma
Teu nome pelo qual eu queimaria todos os livros
Teu nome toda ciência após o deserto humano
Teu nome que é para mim a história dos séculos
O cântico dos cânticos
O copo de água na cadeia de condenados
E todas as palavras não são mais que um muro de cacos de vidro à entrada de uma cidade maldita
Quando teu nome canta aos meus lábios partidos
Teu nome e que cortem a minha língua
Teu nome
Toda música no minuto da morte

Tradução:  Claudio Daniel

(In Elsa, de 1958)

Je suis l’hérésiarque de toutes les églises 
Je te préfère à tout ce qui vaut de vivre et de mourir 
Je te porte l’encens des lieux saints et la chanson du forum 
Vois mes genoux en sang de prier devant toi 
Mes yeux crevés pour tout ce qui n’est pas ta flamme 
Je suis sourd à toute plainte qui n’est pas de ta bouche 
Je ne comprends des millions de morts que lorsque c’est toi qui gémis 
C’est à tes pieds que j’ai mal de tous les cailloux des chemins 
A tes bras déchirés par toutes les haies de ronces 
Tous les fardeaux portés martyrisent tes épaules 
Tout le malheur du monde est dans une seule de tes larmes 
Je n’avais jamais souffert avant toi 
Souffert est-ce qu’elle a souffert 
La bête clamant une plaie 
Comment pouvez-vous comparer au mal animal 
Ce vitrail en mille morceaux où s’opère une mise en croix du jour 
Tu m’as enseigné l’alphabet de douleur 
Je sais lire maintenant les sanglots Ils sont tous faits de ton nom 
De ton nom seul ton nom brisé ton nom de rose effeuillée 
Ton nom le jardin de toute Passion 
Ton nom que j’irais dans le feu de l’enfer écrire à la face du monde 
Comme ces lettres mystérieuses à l’écriteau du Christ 
Ton nom le cri de ma chair et la déchirure de mon âme 
Ton nom pour qui je brûlerais tous les livres 
Ton nom toute science au bout du désert humain 
Ton nom qui est pour moi l’histoire des siècles 
Le cantique des cantiques 
Le verre d’eau dans la chaîne des forçats 
Et tous les vocables ne sont qu’un champ de culs-de- bouteille à la porte d’unecité audite 
Quand ton nom chante à mes lèvres gercées 
Ton nom seul et qu’on me coupe la langue 
Ton nom 
Toute musique à la minute de mourir

SOBRE LOUIS ARAGON




Nenhum comentário: