domingo, 15 de outubro de 2017

Eugénio de Andrade

AO ABRIGO DE INJÚRIAS
Por que palavra começar, por que desordem? O vento levanta-se rápido da rugosidade da pedra, o cavalo de fogo escouceia, relincha no pátio, o rapazito abre-lhe o portão, galopa na poeira.
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Desse dia pouco mais há a dizer — o crepúsculo foi-se aproximando dos degraus da casa, já não se distingue o arado da sua sombra, e ao fundo do horizonte o garoto, cúmplice do vento, afasta-se ao abrigo de injúrias.
(In Poesia e prosa [1940-1979])


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