terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Kabir

KABIR

Eu disse, à criatura sedenta dentro de mim,
que rio é esse que desejas atravessar?
Não há viajantes na estrada que leva ao rio, e não há estrada.
Vês alguém caminhando junto à margem, ou se abrigando ali?

Não há rio algum, nem barco, nem barqueiro.
Não há corda atada ao barco, nem alguém para puxá-la.
Não há chão, céu, tempo, banco de areia ou vau!

E não há corpo, nem mente!
Acreditas que existe algum lugar capaz de aplacar
a sede da alma?
Nessa grande ausência, nada encontrarás.

Sê forte, então, e penetra teu próprio corpo;
ali tens um lugar sólido para os teus pés.
Pensa nisso com cuidado!
Não te desvies noutra direção!

Kabir diz isto: apenas te desfaz de todo pensamento sobre
coisas imaginárias,
e te mantém firme sobre aquilo que és.

Trad. Adriana Lisboa

—–

O poeta místico Kabir viveu na Índia de 1440 a 1518.

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