sábado, 7 de abril de 2012

Ivan Junqueira

CARPE DIEM

O duro travo desta hora:
o travo é o mesmo,
diverso embora
a hora
a hora
hera agora
além do tempo dorme
nos relógios da memória

Duro é o travo deste acorde,
aérea forma, áspero
espasmo de órgãos góticos

(e a hora, no adro, se desfolha)

Dura laje, duro claustro
(outrora mártires e apóstolos
aqui, na pedram se rojaram)
os anjos zombam de Deus
napalm sobre o Gólgota

E a Cruz sem hóspedes

A dura bênção desta hora
ladainha litania
sem misericórdia

(Kant, ao canto
esquivo da estante,
indaga se é possível
a metafísica)

A dura bênção desta hora

toda a esperança
ó ave implume
cega e torta
é sempre espera
sem resposta

E o tempo cruza lento a noite morta

[Poemas Reunidos, Record:São Paulo, 1999, p. 94]


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