sábado, 14 de abril de 2012

Paulo Mendes Campos

AUTORRETRATO

Nos olhos já se vê dissimulada
Preocupação de si, e amor terrível.
A incessante notícia de uma luta
Com as panteras bruscas do invisível
É como a sensação de sede e fome.
Mudo, na cor translúcida da face
Já se insinua o pálido comparsa.
Na fronte existe um vinco que disfarça
Qualquer coisa ... se acaso disfarçasse.
Mas não se vê o coração que come
O sangue espesso da melancolia.
Na boca, outro sinal de uma disputa -
Discórdia, dispersão e covardia -.
E um traço calmo buscando castidade.
No rosto todo, a usura da saudade.

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