segunda-feira, 28 de maio de 2012

João Cabral de Melo Neto


O FIM DO MUNDO


No fim de um mundo melancólico
os homens lêem jornais.
Homens indiferentes a comer laranjas
que ardem como o sol.
Me deram uma maçã para lembrar
a morte. Sei que cidades telegrafam
pedindo querosene. O véu que olhei voar
caiu no deserto.
O poema final ninguém escreverá
desse mundo particular de doze horas.
Em vez de juízo final a mim me preocupa
o sonho final.

Fonte: Obra completa, Ed. Nova Aguillar S.A.: Rio de Janeiro, 1999, p. 71

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