segunda-feira, 30 de julho de 2012

Augusto Frederico Schmidt

ESTRELA SOLITÁRIA
Ó Estrela solitária nos céus!
Ó Estrela que o mar parece convidar
Para um encontro impossível!
Ó Estrela impassível,
Estrela dos abismos, Estrela dos abismos!
Há quanto desafias o tempo!
Há quanto esperas o fim dos tempos!
Estrela, que o mar convida
Para um encontro fatal,
Por que nos olhas assim, tão tristemente?
A nós, tu pareces, solitária Estrela,
A imagem de um desespero sem forma,
A imagem de uma suprema tristeza.
Em torno de ti está o silêncio, o grande silêncio;
Em torno de ti está o frio irreparável.
Não descerás jamais aos móveis abismos,
Ó Estrela dos abismos!
Ficarás com a tua viva luz,
Enfeitando as estradas sem termo.
As frias flores, salvas da morte,
Estão dançando nos caminhos do céu.

Ó Estrela fonte da glória dos mundos,
Estrela dos abismos, Estrela dos abismos!

Poesia - Estrela solitária do meu céu!

In Coleção Melhores Poemas, seleção de Ivan Marques, Ed. Global: são Paulo, 2010, p. 83

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