sexta-feira, 6 de julho de 2012

Sophia de Mello Breyner Andresen

EXÍLIO
Espero tecendo os dias
Imagino e contemplo.
Num país sem flores onde o mar não é mar
E enigma são os navios,
Eu não entendo o sentido das velas
Tenho fome e sede de horizontes frios

EXÍLIO
Quando a pátria que temos não a temos
Perdida por silêncio e por renúncia
Até a voz do mar se torna exílio
E a luz que nos rodeia é como grades

EXÍLIO
Exilámos os deuses e fomos
Exilados da nossa inteireza

[In OBRA POÉTICA, Alfragide,  Caminho, 2011, p. 642].





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