terça-feira, 20 de novembro de 2012

Renan Nuernberger


BANDEIRIANA

para Caru

Um dia - disse-lhe, 
muito embora soubesse 
dos riscos — 
disseca-se a esperança,
esta mortalha sem respiro, 
e descobre-se perplexo 
que no meio da 
gangrena
tem muito sangue, sim.

GULLARIANA

idem

de tudo ao meu amor serei 
e mesmo morto de 
cansaço ou fome 
(que contra incêndios e
sequestros não 
há metáforas nem 
saídas) embalarei 
sua noite (cristais 
me ouvem), lhe 
tomarei em meus 
braços (o corpo pende) 
como um cacho de
uvas, uma lembrança 
de infância, um ideal, 
uma semente, um filhote 
de zebra, um exemplar 
de um velho livro, uma 
língua estrangeira.

Mesmo Poemas
Selo Sebastião Grifo
São Paulo, 2010
pp. 50-51



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