domingo, 6 de janeiro de 2013

Alejandra Pizarnik

Um golpe da aurora nas flores
me abandona ébria de nada e de luz lilás
ébria de imobilidade e de certeza

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Te distancias dos nomes
que fiam o silêncio das coisas

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Aqui vivemos com uma mão na garganta. Que nada é possível, isso já o sabiam os que inventavam chuvas e teciam palavras com o tormento da ausência. Por isso em suas orações havia um som de mãos enamoradas da névoa.

Para André Pieyre de Mandiargues

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no inverno fabuloso
a endecha das asas na chuva
na memória da água dedos de névoa

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É um cerrar os olhos e jurar não abri-los. Enquanto isso, do lado de fora, se alimentem de relógios e de flores nascidas da astúcia. Mas com os olhos fechados e um sofrimento  imenso pressionamos os espelhos até que as palavras esquecidas soem magicamente.

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alguma vez
          alguma vez tal vez
irei sem ficar
          irei como quem vai
Para Ester Singer

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Vida, minha vida, cai, dói, minha vida, enlaça-te de fogo, de silêncio ingênuo, de pedras verdes na casa da noite, cai e dói, minha vida.

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Para além de qualquer zona proibida
há um espelho para nossa triste transparência

In Árbol de Diana (1962)

Maxim Grunin - acrílico sobre tela

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