sábado, 2 de fevereiro de 2013

Rainer Marie Rilke

O CISNE
Esta labuta avançar pelo que ainda não está acabado
pesadamente, com os pés como que ligados,
assemelha-se ao cisne, com o seu andar desajeitado.

E o morrer, essa súbita incapacidade
para entender o solo que todos os dias pisamos,
o seu deixar-se ir ao fundo angustiante -:

na água que suavemente o acolhe
e que, como que feliz e passada,
sob ele passa, fluxo por fluxo;
enquanto, infinitamente calmo e seguro
cada vez mais emancipado e majestoso
ele se move, cada vez mais imperturbado.


Tradução de Maria do Sameiro Barroso

Der Schwan

Diese Mühsal, durch noch Ungetanes
schwer und wie gebunden hinzugehn,
gleicht dem ungeschaffnen Gang des Schwanes.

Und das Sterben, dieses Nichtmehrfassen
jenes Grunds, auf dem wir täglich stehn,
seinem ängstlichen Sich-Niederlassen -:

in die Wasser, die ihn sanft empfangen
und die sich, wie glücklich und vergangen,
unter ihm zurückziehn, Flut um Flut;
während er unendlich still und sicher
immer mündiger und königlicher
und gelassener zu ziehn geruht.

Rainer Marie Rilke

Nenhum comentário: