domingo, 3 de fevereiro de 2013

Luís Costa

COBRA DE JADE
Tu eras a chuva dos pássaros nascida na boca faminta de estrelas.
olor da violência feminina.
amoras que se desfaziam nos alvéolos
poderosos.

ó Ilustres tardes onde os bichos-da-seda teciam o ouro.
metalurgia absoluta.
obra secreta dos ígneos metais.
a genialidade dos ourives.

tudo jorrava do núcleo perpétuo
e era o movimento e a pedra
que as mãos recolhiam com o louvor da luz.
rotação alegre.
oráculos fotográficos por onde um deus espreita.

assim te via com mantos dourados e lembranças excessivas,
entre o verde das ramagens,
de onde os mamíferos saltavam,
rápidos e elegantes.

costuras que erguiam o espaço
com as pressões ejaculares do fogo.

e tudo circulava, agreste,
como o sol em repouso nas hastes das sombras ,
nos canaviais.

assim te via.

e eras real como a água secreta que murmurava, cintilante,
nos tanques.

In Arqueologia Nocturna

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