domingo, 10 de março de 2013

Maria Teresa Horta

TEMPO
É o tempo da mentira.

É o tempo curvo de matar
a morte

É o tempo exacto
de estar exacta e nua

nua e longa
na distância das  fronteiras
do sangue
com cidades cortadas pelo meio

É o tempo grande
de estar cansada
e fria
de estar convosco e ter concessões nos olhos

É o tempo dia
de inventar paisagens
quentes
e ter um carnaval vestido sob os seios

In Cidadelas Submersas, 1961

Matisse
A mulher de chapéu

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