quarta-feira, 15 de maio de 2013

Jorge Luis Borges


OS JUSTOS
Um homem que cultiva seu jardim, como queria Voltaire.
O que agradece que na terra exista música.
O que descobre com prazer uma etimologia.
Dois empregados que em um café do Sur jogam um 
          silencioso xadrez.
O ceramista que premedita uma cor e uma forma.
O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não 
          lhe agrade.
Uma mulher e um homem que leem os tercetos finais de 
          certo canto.
O que afaga um animal adormecido.
O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram.
O que agradece que na terra exista Stevenson.
O que prefere que os outros estejam certos.
Essas pessoas, que se desconhecem, estão salvando o 
          mundo.

Poesia Borges, Companhia das Letras, 2009, p. 346

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