quarta-feira, 29 de maio de 2013

Miguel Torga

Conquista

Livre não sou, que nem a própria vida 
Mo consente.
Mas a minha aguerrida 
Teimosia
É quebrar dia a dia 
Um grilhão da corrente.


Livre não sou, mas quero a liberdade. 
Trago-a dentro de mim como um destino. 
E vão lá desdizer o sonho do menino 
Que se afogou, e flutua 
Entre nenúfares de serenidade 
Depois de ter a lua!

In Cântico do Homem, In Poesia Completa, Vol. I, Lisboa, Dom Quixote, 2007, p. 394

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