sábado, 1 de junho de 2013

García Lorca

SE MINHAS MÃOS PUDESSEM DESFOLHAR
10 DE NOVEMBRO DE 1919
(Granada)

Eu pronuncio teu nome 
nas noites escuras, 
quando vêm os astros 
beber na lua 
e dormem nas ramagens 
das frondes ocultas.
E eu me sinto oco 
de paixão e de música.
Louco relógio que canta 
mortas horas antigas.

Eu pronuncio teu nome, 
nesta noite escura, 
e teu nome me soa 
mais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas 
e mais dolente que a mansa chuva.

Amar-te-ei como então 
alguma vez? Que culpa 
tem meu coração?
Se a névoa se esfuma, 
que outra paixão me espera?
Será tranquila e pura?

Se meus dedos pudessem 
desfolhar a lua!!

Livro de Poemas (1921), In Obra Poética Completa, Martins Fontes, São Paulo, 1996, trad. Willian Angel de Mello, p. 47


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