segunda-feira, 3 de junho de 2013

Lélia Coelho Frota

CANÇONETA LEVETA
Não procures tecer de crivos 
metafísicos nosso amor.
Ele é lúdico. E não carece 
de teu floreio sem calor.

E nem sugere, mais vossa dama, 
alexandrinos como desculpa: 
só teu perfil, incisivo e breve, 
já destruíra a se alguma, culpa.

Eu não espero nem desespero. 
Para te amar, fiarei um escrínio 
de mais amar, que me dissolvesse 
pelas agruras do teu fascínio.


Tênue é a vida, rude o juízo 
que determina minha passagem — 
enternecer-me com teus indícios 
enquanto habitas outra paisagem.

[In Iminente Cristal, in Poesia Reunida 1956-2006, Rio de Janeiro, Bem-Te-Vi, 2013, p.184].



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