sábado, 20 de julho de 2013

Emily Dickinson

Eu que não sei pintar um quadro 
Prefiro - tão somente - 
Captar o brilho do impossível 
E me quedar - contente - 
A imaginar que mão tão rara 
E excelsa - evocaria 
Uma Aflição tão agradável - 
Suntuosa - Agonia -

Não sei falar como uma Flauta - 
Queria então somente 
Alçar-me fora nas Alturas 
E aí - suavemente - 
Atravessando Etéreas Vilas 
Balão em festa iria 
E num só Fio a sustentar-me 
A Nave ancoraria -

Como também não sou Poeta - 
Melhor será somente 
À Aptidão render o Ouvido - 
Frágil - dada - carente - 
Que tão sublime privilégio 
Nem há quem me daria 
De desatar com minha Arte 
Clarões de Melodia!

In A branca voz da solidão, tradução de José Lira, São Paulo: Iluminuras, 2011, p. 219.

Élisabeth Vigée-Lebrun

Nenhum comentário: