segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Else Lasker-Schüler

VIVA!
Meu desejo ferve na nostalgia de meu sangue
como vinho selvagem que arde entre pétalas de
fogo.
Quisera que você e eu, nós, fôssemos uma
força,
fôssemos de um sangue
e uma consumação, uma paixão,
uma ardente canção de amor dos mundos!
Queria que você e eu, nós, nos
ramificássemos,
quando – louco de sol – o dia de verão clama
pela chuva
e nuvens de tempestade estalam no ar!
E que toda vida fosse nossa;
que arrancássemos a morte de sua própria
sepultura
e regozijássemos por seu silêncio.
Quisera que – de nosso abismo – se elevassem
massas
- como rochas – uma após a outra e desembocassem
Em uma cúpula, incansavelmente longínqua!
Que abarcássemos completamente o coração do
céu
e nos encontrássemos em cada brisa
e nos vislumbrássemos por toda a eternidade!
Um dia de celebração no qual murmuraremos
um no outro
no qual – nós dois nos fundiremos
m no outro
como fontes que manam da íngreme
altura rochosa
em ondas que escutem o próprio canto
e -  de repente – desabam rugindo e unem-se
em inseparáveis rebanhos de águas selvagens!


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