sábado, 23 de novembro de 2013

Tahar Ben Jelloun

Minha voz rompida parava no esboço desesperado da ausência
palavra anulada
quando nossas mães nos carregavam nas costas
nos campos
e até o cemitério
nossas mães resignadas procuravam em nós a infância

Nus em nossa solidão
fazíamos buracos no asfalto
até o dia em que o tempo parou na ponta do nosso despertar.

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Ma voix rompue s’arrêtait en tracé désespéré de l’absence 
nulle la parole
quand nos mères nous portaient sur le dos 
dans les champs 
et jusqu’au cimetière
nos mères résignées cherchaient en nous l’enfance

Nus dans notre solitude
nous faisions des trous dans l’asphalte
jusqu’au jour où le temps s’arrêta sur la pointe de notre réveil.
(Cicatrices du soleil)

In Poetas do Mundo - As cicatrizes do Atlas, seleção, tradução e introdução de Cláudia Falluh Balduino Ferreira, Brasília, Ed. UNB, 2003, pp. 46-47. 


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