sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Fiama Hasse Pais Brandão

DEZEMBRO 1985
O nevoeiro que atravesso em Dezembro
é um meio de me lançar nas metáforas.
É como ir através dos meus poemas antigos
que têm raros conflitos interiores.

Mas lembro-me nitidamente do terror
de Fedra. Tão abstracto, distante e clássico.

O NADA. SOBRETUDO NA FASE DE EXALTAÇÃO
Os ramos de árvores despidos que nos lembram
o nada. Sobretudo na fase de exaltação
do espírito. Com a cabeça encostada
aos vidros altos.

Simultaneamente procurar o centro
da irradiação. O Sol matinal com os seus hiatos
preenchidos por casas. Ameias onde se
invertem os vértices do horizonte.
Sol magnânimo

fixo sobre as árvores abençoadas sem
folhas. Infinitos pormenores visíveis e
espaços audíveis preenchem a hora exaltada.
Ponto profusamente cheio. Um fino
silêncio exterior

sinal do nada circundante. Graveto
junto de graveto cruzados para além do fim
da perspectiva. Um significado diverso
naquelas ameias em outros planos. O nada
sempre coeso. Uma respiração intangível
e sem sombras.

In Obra Breve Poesia Reunida, Lisboa, Assírio & Alvim, 2006, pp. 465-466.






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