sábado, 11 de janeiro de 2014

Matilde Espinosa

PORTAS FECHADAS
Os soldados choram de noite  antes de morrer.
Salvatore Quasimodo

As sombras repetem-se
e chegam trémulas
ao pé das cidades.
Ninguém quer abrir as portas
com medo da epidemia.

O sangue desce das montanhas
e interna-se nos hospitais.
Nos quartéis choram os cavalos
e não querem ouvir falar da guerra,
têm más recordações,
pensam nas pradarias
e nas suas companheiras de amor.
Os cavalos são ternos
e olham com dor para os torturados.

De noite ouvem os gemidos
e seus cascos batem
para espantar os mortos.

Assim é agora a epidemia do sangue.
Sobre os ombros dos vinte anos
a morte cruel caminha e é estrondo,
chama ou cinza arrastada pelo vento.

[In Um País que sonha - Cem anos de poesia colombiana, prólogo e selecção de Lauren Mendinueta, tradução de Nuno Júdice, Lisboa, Assírio & Alvim, 2012].

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