quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Cristina Campo

VERÃO INDIANO
Outubro, flor do meu perigo — 
primavera derramada pelos rios.

Ora me é indiferente até à morte
— o acero tem o voo quebrado, os fogos trazem tanto fumo 
ora o terror de existir me afronta
radioso, como o astro vermelho.

Tudo é já sabido, a maré prevista 
e porém tudo se obscurece e aclara 
com fresca desesperação, com extraordinária 
firmeza...

A luz entre duas chuvadas, sobre a ponta 
do rio que me trespassa entre corpo 
e alma, é uma luz da noite
— a noite que não verei — 
clara nas selvas.


[Cristina Campo, O Passo do Adeus, Tradução José Tolentino Mendonça, Lisboa, Assírio & Alvim, 2002, p. 63]. 



By Federico Gerosa


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