sexta-feira, 7 de março de 2014

Luís Filipe Castro Mendes

TRÊS POEMAS DE VIAGEM
1.
Um museu abandonado
Tantos gestos de amor que se perderam
repousam nestes quadros, nestes gessos:
só uma dobra escusa da pintura
sugere o que de dentro foi regresso.
Tantos gestos de amor, tanta invenção:
como a morte perdida foi momento
de breve encontro, engano, sedução
de quanto em nós de pedra se fez vento.
Tantos gestos de amor que não perduram
foram nas árvores seiva interrompida
e no desenho oculto da pintura
são a raiz e o chão da nossa vida.
Mas ao vento, lá fora, duram árvores
nas folhas já de seiva renascida.

[In Outras Canções, In Poesia Reunida, Rio de Janeiro, Topbooks, 2001, p. 352]





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