segunda-feira, 7 de abril de 2014

Maria Lúcia Dal Farra

A MÃO
Como é raso o entendimento da vida:
planícies com disciplinados desníveis
em organizados degraus
(poucos, aliás);
um ou outro pequeno grupo
à espera de milagres;
céu de cenário indicando bem-estar
— e (todavia)

eu,
no meu instrumento de tortura
que me penetra de alto a baixo,
cetro soberano
a suspender a outra versão de mim
(cabelos que destampam o rosto fácil)
e a grande mão que estendo

(de benevolência)
para as esperanças frugais.

Pareço por acaso
comodamente instalada na minha
temperança?

[In Alumbramentos, São Paulo, Iluminuras, 2011, p. 74].

SALVADOR DALI


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