domingo, 6 de abril de 2014

Paulo Plínio Abreu

ELEGIA EM 1941
Ouço o teu canto estranha amada das regiões perdidas.
Teus cabelos desfeitos têm o encanto dos sonhos
Eu um dia te vi brilhar como as estrelas do fundo da infância
Hoje eu te sigo os olhos pelos mares e vejo os arco-iris
Estranha amada que um dia cantou no tempo desaparecido
As estrelas nasciam e doente eu bebia a água fria das grutas.
Um dia eu te ouvi.
Teu canto é puro e se mistura com o rumor do mar e nos convida
Teu canto é triste como os navios da morte.
Tua voz é grande como as boias que nos habitaram
Teus olhos são como as estrelas.
Estranha amada. Ouço o teu canto e sinto-me perdido.
Para onde me levarás na grande noite triste quando depois dos grandes
sonhos a lua desaparecer no céu?

[In Poesia, Belém, Universidade Federal do Pará, Belém, 2008, p. 63]



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