segunda-feira, 30 de junho de 2014

Edmond Jabès

E Yukel fala:
Busco-te.
O mundo onde te busco é um mundo sem árvores.
Nada além de ruas vazias,
ruas nuas.
O mundo onde te busco é mundo aberto a outros mundos sem nome,
um mundo onde não estás, é aí que te busco.  
Há teus passos,
teus passos que sigo e espero.
Segui o lento caminhar de teus passos sem sombra
sem saber quem eu era,
sem saber para onde ia.
Um dia lá estarás.
Aqui, ou em outro lugar,
um dia como todos os outros.
Talvez, amanhã.
Tenho seguido, para chegar a ti, outros caminhos amargos
onde o sal quebra o sal.
Tenho seguido, para chegar a ti, outras horas, outras orlas.
A noite é uma mão para quem segue a noite
À noite, caem todos os caminhos.
Era necessária essa noite em que peguei tua mão, quando estávamos sozinhos.
Era necessária essa noite como era necessário esse caminho.
No mundo onde te busco és a grama e o degelo.
És o grito perdido em que me extravio.
Mas és também, ali onde nada vela, o esquecimento feito de cinzas de espelho.



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