terça-feira, 3 de junho de 2014

Valery Larbaud

A MÁSCARA
Escrevo sempre tendo a máscara no rosto;
sim, essa máscara à antiga moda veneziana,
longa, de testa baixa,
como um grande focinho de cetim branco.
Sentado à mesa e levantando a cabeça,
contemplo-me no espelho, de frente
e de três quartos, e vejo
esse perfil infantil e bestial que eu amo.

Oh, que um leitor, meu irmão, a quem eu falo
através da máscara pálida e brilhante,
venha depor um beijo longo e lento
sobre a testa apertada e essa face tão pálida,
a fim de calcar mais fortemente sobre o meu
esse outro rosto perfumado e oco.

[In Poesia Traduzida, Carlos Drummond de Andrade, São Paulo: Cosac Naify, 2011, p. 209]


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