quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Manuel Fernando Alves

Poema E
O ângulo onde a arvore baloiça
E o exacto lugar do sono a sombra
O centro do mundo e em qualquer parte
E tudo existe la fora
Por não caber cá dentro
Por isso se avista a vida a retalho
E cada momento um recomeço
E cada lembranca uma praga
O copo de água sobre a mesa
Sorvendo o futuro pela sede
De serem longos os dias
E o preco do vinho pela hora da morte

Poema D
Vou ter de forçar este poema
Deve haver uma cegueira de muita luz
E muitos poetas escrevendo ao mesmo tempo
De se entupir a mente de Deus
A palavra amor um guardachuva revirado pelo vento
Tão doce o sumo da romã
Dedilhado o fruto através da dúvida
Faltam cinco versos em forma
Engrossando folha a folha o outono da minha mente
E Dickens tem de pagar a conta do talho
Não há maneira de lá chegar sem
Esmolas da História o preso habituado as algemas

[Publicados com licença do autor]. 



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