quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Porfírio Al Brandão

4
escrevo a cear-te os átomos por saudade curva
doem-me as mãos de procurar granadas mínimas

a língua viaja pelo
mármore azedo – amêndoa
… desejo-a nos dedos

ouço turbinas no arcabouço veloz
ao lamber mucosas
e leio fundo nos tendões o verbo frígido
a engrandecer esse coito salivante das canoas febris
sob o artifício nascente de casulos luminosos

refazer-me-te praia daquela tarde
garças garganteiam-te o umbigo eruptivo
onde se aninha o precipitado coágulo violáceo
das marés inconfessas

abre-me válvulas
reata-me pérolas forradas a carne

e pensar que o coração é uma noz
um pedaço de mar aberto
à boca da cama

flutuante se me soluça o corpo
ao colher sementes na rouquidão nocturna
localizar-te nesse instante
em que a maré alta se confunde com o pólen
roubado à infância

os peixes beijarão a guilhotina
e não morderás a culpa que me veste de mar
nem tresloucarás a sede dos olhos que trespassam
o coração do cardume

[in episódios]

Copiado de tugazombi.blogspot.com



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