terça-feira, 18 de novembro de 2014

Fany Aktinol

FELICIDADE
Do cume desce o poente / Púrpura
Tocado por sua própria substância diáfana
A tingi-lo de vermelho sangue.
As árvores
tornam-se levemente avermelhadas
A grama
Perfuma o ar com seu verdor úmido
Penetrante.
O lugar é familiar
Mas o crepúsculo tem a capacidade de extasiar,
Tornar um instante em algo monumental.
O dia se prolonga para além de si mesmo,
Para o mais alto e insondável -
O tempo está impregnado de eternidade.
Deixo que o crepúsculo me envolva.
Nesse instante sou feliz
Como uma criatura recriada ao acaso,
Ao largo de Deus.

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O MOMENTO SUBLIME
Descíamos pela trilha
Após longa caminhada,
Exaustos e sedentos.
Eu trazia lírios na mão abrasada...
Descíamos como Absalão desceu a Jericó
Ao longo do vale do Jordão.
Caía a tarde de um dia de verão.
O vasto céu estava tão próximo
Que eu me entristecia
Diante do adiantado da hora.
As flores exalavam um perfume
Que embriagava.
Sentamos num banco de pedra
Para que o momento sublime
Não nos escapasse.
Ali assistimos imóveis
Ao morrer de mais um dia e
À chegada da noite prateada
Num encadeamento impreterível.
Eu me pus confiante
Depois que vi a lua
A iluminar o caminho
Que restava percorrer. 

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DESCANSO
Nas claras tardes
De fim de outono
Em Har Haguilboa
O ar puro magnifica
Os sons transparentes
Que sobem do vale.
Os cantos dos pássaros
E o uivo do vento
Soam como a manifestação idílica
Da natureza que repousa.
Vês a relva, Ben,
Coberta de folhas secas,
E um tapete colorido
Com seu desenho único
Que terá vida curta.
Ao fim da estação que se aproxima
Não haverá mais tapete algum.
As folhas terão morrido para dentro da terra
Uma morte silenciosa e oculta
Cujo segredo jamais vivenciaremos.



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