terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Fernando Sernadas

Poema Crônico
Qualquer palavra serve para abrir o poema
Como rabo de lagartixa remexendo além da morte
Ou jorro de sangue antes da pedrada
O poema já esta escrito
Uma ferida irreconciliável com o mundo
Como quem e esmagado em forma de papel
E não sabe sequer que morre
Por ser ao fio das asas que o vento renasce
E nas arestas das pedras que a chuva perdura
O poema não cicatriza o caule que adorna a festa
Nem a oração da alma onde o corpo ferve
Cuidado com o poema
Depois de aberto não há como
31/1/2015

Poemeio
A linha que corta pelo centro do ser
Não é onde o corpo acaba e a morte começa
A Terra roda pela luz para que a noite se faça
Uma dialética da indiferença e de costas viradas
E ninguém sabe o que pode um corpo
Pensava Espinosa para lá dos limites desse corpo
Pois só a dor limita o corpo
Só a dor o encama e lhe tolhe os ramos
Pega-se numa pedra e a lagoa escuta
O coração das pedras e o crescimento do mundo
Enquanto o corpo cresce para dentro
E as árvores penteiam o vento
E com isto adormece o poema
2/2/2015

by Leonidafremov

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