quinta-feira, 25 de junho de 2015

Cláudio Castoriadis

OLSEN
sem pressa, resenhou planuras de alcantilas
quase como se quisesse ser indecidível
na qualidade de respingo ao contrário
disposto em séculos

é o que estás a ver
as devas estão surdas
e, no seu estômago, estiletes engatilham
dispostos em forma de decotes redobrados

***
CITY AND COLOUR
congregávamos numa constelação enigmática
enquanto eu contava os trocados
você fazia diagnósticos sobre meu humor
fazia uso da verticalidade ao seu dispor
sempre pelos astros inabitáveis
desses, de um extremo ao outro - descontrolados
tínhamos mantimentos, cobertores, comida, abrigo
tínhamos cabelos tumultuados
parafusos cambiantes
tínhamos a gente

eu carregava crônicas na mochila
carregava o clima dallas green
aquele do city and colour...

***
AERIALS
e, cantava uma infinidade de corinas
dessas que não conseguimos
em definitivo
a priori
sabe como é
diferente daquelas que constituem
a natureza por necessidade lancinante
percorrendo onde restava percorrer
de costas com sua camisa xadrez
interpolando hipsters flanelados

e o que sobrou
ficou c/ os standards
esquemas semânticos, lânguidos, palhetas
cães de aluguel e engenheiros diacrônicos

***
MESMO DORMINDO NUMA FRASE DE EFEITO
no momento mais tranquilo da noite
coisas impossíveis escalam ruídos
florestas, obreiros, gencianas
afloram no desfiladeiro
antúrios fecham as paredes
recompõem a eternidade
com sua modesta
moldura
a noite é feita
de melodias articuladas
vc falava disso tudo
debruçada numa frase de efeito

lembra?
você explicava
que o som mais próximo
poderia ser o mais inaudível
rodopiando sobre o próprio single

(risos)

eu esperava seu sono
virar prosa
narrativa
não
poesia

por isso lembro
de como você adorava os sons emoldurados
dos acordes despertos nas molduras tricotadas
de quando em sempre você acompanhava o realejo do tio lauro
você tinha razão, os sons não são sucessivos, são simultâneos

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By Çizi-Yorm


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