terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Marize Castro

À ESPERA

Porque nesta casa nada se oculta, eu te chamo.
Entre a vigília e o espelho, eu te espero.

Amo as palavras.
Por elas também virei homem.
Vi fúrias parindo fêmeas ávidas de linguagem.
Mulheres que deslizam.
Entregam-se. Desobedecem.
Dividem suas casas com os pássaros.
Mulheres que guardaram a senha:
fechar a porta a qualquer invasão.

Em silêncio, deixar cair
crucifixo, rosário, camafeu.

Nenhum véu. Nenhuma ilusão

[In Lábios-Espelhos, Natal (RN):UNA, 2009]



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