segunda-feira, 23 de abril de 2012

Marly de Oliveira

Contudo, creio em mim, asseguro
que tenho amor, que me invade em momentos de fraqueza
a força da fraternidade.
Investigo, indago, insisto
no projeto de encontrar-me.
Quem sabe de mim, quem me vale?
O diamante mais precioso
não me seduz, nem me rapta
o tesouro que é dado e retirado.

Believe me,
eu não era assim.
De resto, basta lembrar
que o sonho mais desordenado
e sua riqueza singular,
o pensamento perdido
em seus amplos labirintos,
denunciavam logo a mensagem
terna da aprovação.
Hoje sei que nem tudo é doação,
o consolo não vem de onde se espera.
No entanto, a primavera ...

Marly de Oliveira, Aliança, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1978, p. 18


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