terça-feira, 10 de julho de 2012

Carlos Pintado


CONVERSA COM PANERO
Ninguém me chama. Ninguém me espera.
Mais solitário que a noite, sou a noite.
Mais solitário que a sombra, sou a sombra.
Sou menos que o vinho, menos que a taça.
A que lugar do tempo me condenam
lembranças, escrituras, profecias, palimpsestos, velas, escuras
tarjas onde não escreveram meu nome.
Se monstro eu fui, então, o inferno
será meu paraíso mais próximo.
Não sofro a pobreza, sou pobreza.
De minha mão escorre o mal.
Anjos me abraçam e me beijam
Faço amor com Deus e com o diabo.

(Tradução livre do original espanhol, com permissão do autor)

Jovem poeta cubano, nascido em 1974, radicado nos Estados Unidos. Recebeu o Prêmio Internacional de Poesia, na Espanha,  por seu livro "Autorretrato en azul". 

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