quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Ximena Gómez

REVERIE
Sangue
Lixo
E migalhas
De uma noite
Orgiástica.
Na copa de uma árvore
Um corvo azul
Agita as asas
Relambendo-se.

ALUCINAÇÃO
Deambula pelos montes ao crepúsculo.
As noites reconhecem seu latido inaudível.
É visto a vadiar pelas portas do Hades.
Os pássaros riem de sua extravagância.
Criatura da sombra, errante e sem repouso.
A luz o vê esconder-se sob as pedras,
no buraco de uma árvore,
ou desaparecer nas montanhas.
Sente-se sua presença no canto da coruja.
Temido no grito da selva.
Sabe-se dele nos sonhos.
É filho da angústia.

CATÁSTROFE
Uma avalanche marrom
desmorona
sobre um ninho
de formigas.
Do alto
um cavalo risonho
defeca.

ESCARROS
Ladainha do pregão do outro lado da rua.
Latidos de um cão no cercado. Na janela,
um velho escarra e e cospe imprecações.
Um projétil cai no calçamento.
Abaixo,
algumas crianças, quais médicos legistas,
auscultam o mistério de um cadáver viscoso
colado às pedras.

EXTERMÍNIO, NASCIMENTO
1.   Os ritos infantis da morte,
      Lascas de madeira, escaravelhos.
      Faíscas e resplendores na gruta.
      Cremação de caídos na matança noturna.
2.    Enxames de tartarugas desovam na costa.

ÉDEN
Jardim gozoso
no quintal.
Uma velha latrina
como nicho,
sepultada na erva.
Lá dentro lagartas, percevejos,
um ninho de pombas;
Um galho de lilás
toca-lhe o ventre.
Uma mosca corteja
as fezes de um cavalo.
O sorriso de deus.

VIOLAÇÃO
Brincadeiras do gato na folhagem
com o sexo de pólen de uma rosa.
Alguém geme baixinho no talo.



Fonte: http://conexos.org/2012/08/25/poemas-de-ximena-gomez/

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