quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Mariana Ianelli

ESSENCIAL
O branco há de me cobrir.
Nenhuma ótima filosofia,
nenhuma música para essa vez.
Os bárbaros conversam comigo do poço,
os mais hábeis, os mais inertes.
Minha confidência se abre para eles:
é a demolição do minuto pontual,
da cadeia insustentável de regras,
dos meus calçados infalíveis
que respeitaram sempre um certo simulacro.
Bárbaros por uma ausência profana
de ideais e arrependimentos:
o exemplo da rendição inocente.
Deveres à parte,
costumes exauridos e desígnios à parte,
o branco há de deitar sobre mim.



Do livro Duas Chagas, São Paulo: Iluminuras, 2001, p. 53

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