quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Mariana Ianelli

VARIAÇÕES PARA MORTE
Isto que se quer fora de casa,
Asa pestilenta, gosto acérrimo.

No fogo da controvérsia
Edifica o indiscutível
E reconduz a uma só pedra
Muros, troféus, arrependimentos.

Existe aquele que nem sabe
Lhe ter medo, tão perfeito lírio
Inerte no meio do campo,
Uma criança a menos
Para o alvo de escopetas.

Talvez de nós se compadeça,
Talvez conosco se deleite
Ao permitir mais uma obra,
Mais um progresso da ciência.

E ela espreita e ela se mete
Pelas frinchas, pelas guelras,
Desafina o instrumento
Bem no auge de uma récita.

Por dentro amadurece o nada,
Seiva que enrijece o fraco
E ao viçoso empalidece.

Treva Alvorada, p. 47


Belmont

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