quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Luís Costa

DA MAGNITUDE 
A magnitude sísmica de um pulso aberto por onde crescem
as flores primaveris
insectos furiosos emergindo da profundeza arterial
astros ou olhos penetrantes
pólipos embatendo contra o rochedo das clareiras
a cicatriz do metal que aflora dentro de um coração
prestes a quebrar de amor

e as armaduras possantes de um novo dia
o sol
a água
as choupanas
o sexo à procura dos primeiros sinais de vida
um pulsímetro que se gera na garganta

ainda seca
ainda sem esperança ou negação
ainda liberta dos vermes e dos lagartos
dos tigres
que dilacerem as carnes nos tanques de Agosto

ó branca escuridão que corres pelas veias!
que te entranhas na alma
viril aço rudimentar
curto-circuito
devastação nos côncavos inchados de pedras

quem conhece os teus fabulosos mistérios?
quem sabe o porquê
desta cavalgada exterior aos cuidados da amamentação?

ah! como tudo se ergue e cai
como tudo se processa no movimento rigoroso
onde os sentidos são sombras graníticas
sobre a fina
areia dos pantanais

ó fenda que expeles lava nas ventas do animal

eis a boca possessa que mal acorda logo em si recebe
a bênção da destruição

In: Arqueologia nocturna


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