sexta-feira, 8 de março de 2013

Guerá Fernandes

Marc Chagall
SE EU FOSSE HILDA HILST

Se eu fosse Hilda Hilst
faria pra você um lindo poema
mas louco e sabendo do amor tão pouco
seria meu outro o dilema
Se eu fosse Hilda Hilst
e de terríveis asas a cantilena
porque de silvos caminhará o torto
cortando os pulsos pelas algemas
Se eu fosse Hilda Hilst
ou a chuva que tristíssima desaba
ou o sol que atravessou de raios o rosto
do meu fantasma que me aguarda
Se eu fosse Hilda Hilst
íris coruscante da fresta-palavra
seria de cinzas, porque eu estava morto
no luto que não tarda e o cão ladra
Se eu fosse Hilda Hilst
e o amanhã na minha flauta
e ao dizer ‘o veneno do seu corpo’
não soaria barata a cantata
Se eu fosse Hilda Hilst
ou a capela, um solo, uma sonata
e por só ser seria menos que um sopro
assim a dor se basta, inexata

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