sábado, 19 de outubro de 2013

Manuel António Pina

O medo
Ninguém me roubará algumas coisas, 
nem acerca de elas saberei transigir; 
um pequeno morto morre eternamente 
em qualquer sítio de tudo isto.

É a sua morte que eu vivo eternamente 
quem quer que eu seja e ele seja.
As minhas palavras voltam eternamente a essa morte 
como, imóvel, ao coração de um fruto.

Serei capaz
de não ter medo de nada, 
nem de algumas palavras juntas?

In Nenhum Sítio, In Todas as Palavras Poesia reunida, 3a. ed, Porto, Assírio & Alvim, 2013, p. 107. 

AGHA

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