quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Rainer Maria Rilke

Apolo Prematuro
Como por vezes dos ramos sem flor
se entremostra a manhã tal que pareça
já primavera: nada em sua cabeça
impede que sintamos o esplendor

quase letal de todos os poemas
no seu olhar sem sombras ou centelhas,
a fronte ainda fria para emblemas,
pois só depois, do arco das sobrancelhas,

virá o jardim de rosas que se apruma,
as pétalas soltando-se, uma a uma,
a cair sobre a boca, que, tremente,

cintila já, mas sem uso, silente,
bebendo algo com o seu sorriso,
como à espera de um canto ainda impreciso.

In Augusto de Campos, Coisas e Anjos de Rilke, São Paulo: Perspectiva, 2013, p. 93.




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