quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Zulmira Ribeiro Tavares

O ARQUITETO E A BAILARINA
Como um compasso 
as pernas de aço abertas

Primeiro uma perna no chão 
a outra perna na barra

Depois a troca das duas 
pontas da sapatilha

Com os pés em ponta ela faz
aquilo que ele lhe ensina

O compasso nas mãos que o seguram 
se abre e desenha um círculo

No umbigo ele a beija com a língua 
como ajusta um parafuso

Sem exasperar a pressão 
insiste e abre caminho

Avança seguro e cego — 
na reta o ponto de fuga

Depois com mãos que arquejam 
desenha a planta do mundo.

[In Vesúvio, São Paulo: Companhia das Letras, 2011, pp. 66-67]. 


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