terça-feira, 19 de novembro de 2013

Antonio Gamoneda

Amei. É incompreensível como o tremor dos álamos. Extraviei-me mas sei que amei.

Vivia num ser e o seu sangue reunia-se ao meu sangue e a música envolvia-me e eu próprio era música.
Agora,
quem é cego nos meus olhos?

Umas mãos passavam sobre o meu rosto e envelhe­ciam lentamente. Que foi viver entre feridas e som­bras? Quem fui nos braços da minha mãe, quem fui no meu próprio coração?

Só aprendi a esquecer e a ignorar. É estranho.
No entanto o amor 
habita o esquecimento.

In Oração Fria, Antologia. Sel., trad., introd. e posf. de João Moita, Lisboa, Assírio & Alvim, 2013, p. 285

Paul Cézanne

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