quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Edwin Morgan

O DIVISOR
Continuo pensando em você - o que é ridículo. 
Estes anos entre nós como um mar.
E a dignidade que veio com o tempo 
impediria meu lápis sobre o papel.
O som estava ligado; você pediu pelos Stones; 
conseguiu, conseguiu café fresco, conversa.
As cortinas cerradas guardavam uma noite selvagem. 
Continuo pensando nos seus olhos, suas mãos.
Não há razão para isto, nenhuma.
Você diria que não posso ser o que não sou, 
mesmo que eu não possa ser o que sou.
Onde isso nos leva? O que podemos fazer?
O silêncio após Jagger foi como uma capa 
que eu teria jogado sobre você - havia apenas 
o vento, e o relógio batia enquanto você bebia, 
agarrando a caneca verde entre as mãos.
Não olhe para cima assim de repente!
Como é duro não olhar você.
Chegamos ao ponto de não falar 
e não se preocupar, e aquilo 
foi quase feliz. Então, mais tarde,
quando você deitou sobre o cotovelo no carpete 
não senti nada além de uma punhalada 
de dor me dizendo o que era, 
e não posso dizer para você, nem uma palavra.

[In Edwin Morgan - Poetas do Mundo, seleção, tradução e introdução de Virna Teixeira, Brasília, Ed. UNB, 2006, pp. 29-31]. 



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